Casa Capitão celebra o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, ao longo de todo o dia 21 de março, com “Deixa passar o meu povo”. O programa tem como mote o poema homónimo da autora moçambicana Noémia de Sousa, numa homenagem que evoca o centenário do seu nascimento, bem como o Dia Mundial da Poesia, também assinalado a 21 de março.

Reunindo diversos artistas e comunidades em torno de músicas, filmes, exposições, performances, oficinas, conversas, um mercado e momentos de partilha gastronómica, este ciclo foi desenvolvido em colaboração com parceiros como o Festival TODOS, o Grupo EducAR e Paula Cardoso.

Destacam-se os concertos, maioritariamente de entrada livre (como quase tudo neste dia), de artistas brasileires como Coco Voador ou Forró Baião; os craques de La Familia Gitana; o rapper chinês Koi Kowaku; e o veterano músico bangladense Mostafa Anwar. Só é preciso comprar bilhete para ver uma velha conhecida da Casa, Jup do Bairro, que vem a desenvolver um dos mais singulares corpos de trabalho, não só da música, mas da arte brasileira contemporânea.

Outro dos destaques é o regresso do Mercado Afrolink, reunindo a comunidade de criadores e empreendedores da plataforma no Anexo – Unicorn Stage, das 11h às 20h.

O mercado partilha este espaço com a mostra digital “Black History Month”, que celebra a presença afrodescendente em Portugal e o seu contributo cultural e histórico, através de 12 retratos dos artistas Jacquie Comrie, Brian Amadia e Kando, numa iniciativa da Embaixada do Canadá em Portugal, em parceria com a AIMA. Pelas 19h40 haverá uma visita comentada, prestando tributo às figuras representadas e promovendo reflexão sobre passado, presente e futuro.

O primeiro momento programático da manhã, no entanto, é uma visita à exposição “Inventários Inventantes”, de Joni Riccos, o convidado deste trimestre do projeto Ocup_AR, a partir das 10h30. Segue-se uma roda de conversa sobre a “Educação pela Pedra” (2015–2026), no Sótão.

Entre outras atividades do Grupo EducAR, destacam-se a sessão do Baobá Cineclube, com a exibição do documentário “ALCINDO” (2021), de Miguel Dores; o espetáculo de teatro “Abayomi: O encontro precioso”, para toda a família, criação da artista, artesã e educadora popular brasileira Lena Martins; e uma oficina coletiva baseada em “Elefantes na Sala”, de Joni Riccos, e no poema “Eu, Criança”, de Santola.

Já de tarde, também no Sótão, vai ser possível participar na oficina de dança “Expressing Humanity Through Abhinaya and Movement”, com Thrinisha Mohandas. Inspirada em lendas indianas e em questões contemporâneas como a discriminação, esta oficina explora como a dança e o movimento podem comunicar coragem, empatia e conexão humana.

Ao mesmo tempo, a partir do Primeiro Andar, vai ser transmitida uma emissão ao vivo de “O Tal Podcast”. As anfitriãs Paula Cardoso e Georgina Angélica recebem José Rui Rosário (“O Lado Negro da Força”) e Justino Salacumbo (“Despertador Podcast”) para um episódio sobre “Desfazer o silêncio, confrontar o ruído e assumir o lugar de fala”.

Quase ao final da dia, haverá ainda uma mostra de curtas-metragens de Aoaní, David J. Amado, Elísio Bajone, Indi Mateta e Josiana Cardoso, cruzando olhares e experiências. Depois, promovemos uma conversa com os autores, conduzida pela jornalista Margarida Valença.

E porque festa que é festa tem de ter comes e bebes, desafiámos três cozinheiras de mão cheia a juntarem-se a nós. Habituada a reimaginar pratos típicos das cozinhas asiáticas, em versões veganas, a chinesa Victoria Ye é uma das convidadas. A responsável pelo Tiny Leaf foi selecionada por Anaís Almeida para a terceira jornada do Clube Internacional da Carcaça e, a partir das 15h, vai rechear os nossos pãezinhos com um bulgogi coreano. Sem carne, mas com maionese e kimchi caseiros.

Antes ainda, ao almoço, a chef guineense-senegalesa Bellange Ndecky, do restaurante Tempero da Bela (Setúbal), vai cozinhar o seu mafé de frango com banana frita. Partilhará a cozinha com a moçambicana Bina Achoca, co-autora do livro “Coentros & Garam Masala” e engenheira das melhores chamuças de Lisboa e arredores. Se acham que estamos a exagerar, venham tirar as teimas no sábado.

O Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, instituído pela ONU em 1966 em memória das vítimas do massacre de Sharpeville, na África do Sul do apartheid, celebra a luta contra o racismo e a promoção da igualdade.